terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Quem poderá conter Trump?

 

*Cesar Vanucci

“Ato de sublime amor” (Trump, sobre a invasão do Capitólio)

 



crédito: kleber Sales) "Correio Braziliense"


Narcisista perverso, Trump vem inquietando o mundo com uma saraivada de diatribes.

“Nomeia-se” presidente da Venezuela. Fala em anexar o Canadá. Ameaça controlar o Canal do Panamá. Afirma que, por enquanto, não haverá invasão do México, contra os cartéis de drogas. Mirando Cuba, registra que Marco Rubio, seu Secretário de Estado, será um bom presidente para o país. Define com as grandes petrolíferas, esquema de exploração das jazidas de óleo venezuelanas. Depois de criticar virulentamente o presidente da Colômbia, volta atrás dizendo que ele é um bom homem, convidando-o até a dar uma chegadinha em Washington.

Noutra vertente de atuação, inconformado com os dados econômicos, abre procedimento criminal contra o presidente do Banco Central, culpando-o pelos números desfavoráveis. Admoesta correligionários e adversários pela moção aprovada no Congresso, que impede ações bélicas sem a prévia anuência parlamentar, como reza a constituição. Intensifica o programa de deportações e sustenta, contra as evidencias, que o agente que matou uma americana agiu em legitima defesa. Seja anotado que a tragédia desembocou em grandes manifestações de protesto país afora. Outra decisão de estrondoso impacto diz respeito à suspensão de vistos de imigração envolvendo cidadãos de 75 países, o Brasil incluído. Além disso, entrará em vigor ampla revisão cadastral atingindo imigrantes  detentores de “vistos de permanência”.

No dia 6 de janeiro último, mais um impensável lance praticado por Trump abala fortemente círculos democráticos da grande Nação americana. Reportando-se à conspiração golpista, por ele estimulada e que resultou na invasão do Capitólio em 2022, o ocupante da Casa Branca descreve a nefanda ocorrência como um “ato de sublime amor” promovido por sinceros patriotas. Bota “patriotismo” nisso! Teve mais: Trump diz, na maior cara de pau, que os fatos relativos à invasão – que resultou em mortos, feridos, prisões e condenações pela justiça – carecem ser reescritos, de modo a corrigir “erro histórico”.

O mal-estar ocasionado pela disposição imperial de abocanhar a Groelândia leva países da OTAN a deslocarem tropas para aquele território a fim de protegê-lo do imprevisível “aliado”. Não param aí as maluquices. Trump acena com sobretaxas aos países que se oponham à invasão da Groelândia. Declara-se desobrigado de compromisso com a paz pelo fato de ter-lhe sido negado o “Nobel Paz”. Divulga nas redes uma imagem produzida por IA onde aparece ladeado por assessores com a bandeira americana fincada no mapa da Groenlândia. Noutra imagem, a bandeira cobre toda a extensão das Américas (Canadá e México incluídos).

A pergunta de ressonância universal que não quer calar: Como e quem vai conter Donald Trump?

cantonius1@yahoo.com.br


                                               crédito:( kleber Sales) "Correio Braziliense"

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 Diário do Comércio


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Magistrados do STF e as indesejáveis decisões monocráticas (6 de dezembro de 2025 )



Magistrados do STF e as indesejáveis decisões monocráticas
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci

“Tentativa de usurpação das prerrogativas do Legislativo.” (Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional)

Recentes manifestações de magistrados do STF produziram críticas nos círculos jurídicos e estranheza noutras esferas sociais.

Acometido de descomedida autossuficiência em sabença jurídica, o ilustre Ministro Gilmar Mendes resolveu derrogar, numa canetada monocrática, dispositivo atinente ao direito dos cidadãos de ajuizarem ações de impedimento dos integrantes da Alta Corte. A reinterpretação do texto constitucional – ressalte-se novamente, monocrática – gerou conflito com o Congresso. O presidente da instituição, Senador Davi Alcolumbre considerou a medida altamente preocupante, assinalando ainda tratar-se de “tentativa de usurpar as prerrogativas do Poder Legislativo”. Em reunião do pleno, prevista para breve, o STF apreciará o voto de Mendes, havendo a expectativa em numerosos setores da opinião pública de que a deliberação venha a ser revogada. Nos meios de comunicação o ato tem sido apontado como “versão judicial” da PEC da blindagem, gestada, ainda outro dia, no âmbito do Legislativo e que tanta celeuma provocou. A questão enfocada remete a outro item perturbador: o voto monocrático, inaceitável a qualquer título como instrumento jurisprudencial.

Numa outra decisão monocrática, vista obviamente com restrições, o ilustre Ministro Dias Toffoli chamou a si a instrução do processo referente ao escândalo do Banco Máster. Nas áreas jurídicas o gesto ressoou de forma negativa, tendo em vista a circunstância de que a apuração dos fatos ligados à estrondosa maracutaia financeira possa transitar sob indesejável sigilo. “Qualquer medida judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela instância inferior”: foi o que disse Toffoli, acrescentando que a investigação envolve pessoas com foro privilegiado. E daí? É o que indaga o cidadão comum, intrigado com a hipótese de graudões emaranhados nas teias da corrupção tirarem proveito de sigilo absoluto que impeça a transparência e acompanhamento do caso. Caso de indiscutível importância social.

Segundo qualificados observadores o julgamento de casos complexos envolvendo crimes financeiros tramitam, historicamente, na Corte suprema, em ritmo sempre mais lento. Isso pode levar até à prescrição processual, algo totalmente descabido.

O que se ouve, nos papos de rua, é um desejo muito ardente da gente do povo em poder identificar, de pronto, os autores desse e de qualquer outro atentado praticado contra a economia popular, dispondo de acesso amplo geral e irrestrito, aos desdobramentos das apurações conduzidas da Justiça.

O fascino humano pelo mistério e a ciência (8 de novembro de 2025)

 


Envolvente e intrigante historia do Cronovisor produziu torrente caudalosa de informações

Como é de se imaginar, a envolvente e intrigante historia do Cronovisor, trazido à tona na segunda metade do século XX, produziu torrente caudalosa de informações, versões e teorias. As inexplicabilidades da aventura humana fazem por onde, vezes sem conta, gerar fatos capazes de estremecer o conhecimento consolidado.

O padre francês François Brune, cientista, estudioso dos chamados fenômenos transcendentes, deu guarida instantânea à fabulosa historia contada pelo padre Pellegrino Maria Ernetti., acerca de sua invenção, com o concurso de outros cientistas, da máquina do tempo que o Vaticano teria confiscado. Autor de vários livros, François dedicou um deles para narrar a experiência, tornando-se o grande divulgador do Cronovisor, fomentando assim o debate em larga escala suscitado pela inacreditável experiência.

Do processo de desconstrução das alegações sustentadas por padre Pellegrini consta que, em seu leito de morte, ele teria confessado que o invento não era real, tudo não passaria de um “aviso moral”, metáfora criada para advertir a humanidade acerca dos riscos que rondam o mundo diante dos avanços tecnológicos fora do controle ético. A bem da verdade, esclareça-se que o padre François (falecido em 2019) refutou veementemente esse registro crítico.

Estudiosos do caso do Cronovisor, conforme extraído de textos de jornais europeus da época, são de parecer que independentemente de ser verdade ou não, a alegação atribuída a Pellegrini adiciona uma camada de complexidade à lenda, transformando o cientista/padre em um moralista que teria utilizado “o invento” como ferramenta pedagógica. De acordo ainda com as mesmas fontes de consulta, a lenda do confisco e desmantelamento do artefato, por determinação do Papa Pio XII, é igualmente poderosa, pois toca na veia “conspiratória das correntes de opinião”. A lenda insinua que a verdade, seja ela qual for, é perigosa demais para ser revelada. Mostra a religião como uma força que opta, conforme as circunstâncias, pela censura, retardando o conhecimento. Isso alimenta a desconfiança popular e acaba consolidando o Cronovisor como um símbolo da informação oculta. É desse tecido que se fazem as “teorias da conspiração”.

​Encurtando razões, o Cronovisor funcionaria como uma metáfora que se locomove entre fé e razão. Confronta-nos com a vontade de crer na tecnologia milagrosa e, conjuntamente com o ceticismo racional. Sua persistência na cultura popular — inspirando livros, filmes e teorias — assegura que, embora o dispositivo físico jamais tenha sido visto, a lenda do Cronovisor continuará a ser um farol que ilumina a interligação misteriosa entre o que sabemos, o que queremos acreditar e o que a história avaramente guarda.



A transparência é essencial nos negócios públicos (2 de janeiro de 2026)

 


História do Banco Master brada por transparência
A transparência é essencial nos negócios públicos
Foto: Divulgação Banco Master

“A transparência não é um atributo acessório.” (Ministro Edson Fachin, presidente do STF)

1. Transparência não é mero elemento acessório. Trata-se de item indissociável da boa regência nos negócios públicos. O desassossego e o mal-estar se instalam no espírito popular quando se constata em procedimentos de gestores atos de dissimulação, de blindagens dos fatos com explicações “à moda Cantinflas”, ou seja, papo embaralhado, confundindo interlocutores “mode que” não revelar coisa alguma.

Essa história do Banco Master brada por transparência. Numerosos os pontos obscuros a serem expostos à claridade solar. A impressão é de que está havendo estranha movimentação de bastidores que carece ser devidamente esclarecida. Tudo é preciso ser explicado tim-tim por tim-tim, nos devidos conformes, como se costuma dizer.

Os fraudadores, os possíveis personagens embuçados que teriam concorrido para que houvesse a fraude ou que, hipoteticamente estariam agora se esforçando para que ela não seja desnudada de corpo inteiro precisam ser identificados, doa a quem doer. Disso precisam se compenetrar todos os setores engajados nas apurações das “maracutaias” conduzidas pela competente Polícia Federal, ao que parece ao desagrado de alguns setores políticos.  Por falar em transparência, o ilustre presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, andou tornando pública a intenção, sumamente louvável, de estabelecer um “Código de Conduta” para orientar a atuação dos nobres integrantes da respeitável instituição. Pelo que tem sido divulgada, a ideia encontra alguma resistência entre seus pares. A suposta reação é desprovida de bom senso e encarece ser debelada.  

A Corte Suprema, que tão bem expressa em seu excelente trabalho de defesa dos postulados democráticos o sentimento cívico da nação, precisa esforçar-se ao máximo para impedir que qualquer ato de seus membros suscite interpretações desconectadas da realidade dos fatos. As atitudes pessoais dos ministros, que estão rodeados da simpatia e apreço dos setores mais lúcidos, justamente comprometidos com os valores democráticos e republicanos, devem se sobrepor ao jogo das conveniências políticas e dos interesses mundanos, até mesmo porque tais conveniências e interesses podem se converter em pendências e litígios a serem analisados judicialmente.

3. O ano findando e tudo continua como sempre nos “frontes” da vida. Na Austrália, a barbárie antissemita ensanguenta as areias da praia, ceifando vidas preciosas. O “cessar-fogo” em Gaza, já com 2 meses de duração, continua rendendo registros estatísticos chocantes, sem que se lobrigue uma fresta para a segunda etapa anunciada do assim chamado “Acordo de Paz”.

Na Ucrânia, a guerra que Trump prometeu acabar “com apenas algumas telefonemas”, prossegue impetuosa e destrutiva. O mesmo Trump cria novo incidente internacional, designando uma espécie de interventor para Groenlândia, provocando irados protestos imediatos da Dinamarca e demais países da comunidade europeia. E assim vai…

Histórias edificantes: efervescência política no fim de ano (20 de dezembro de 2025 )

 20 de dezembro de 2025 • 

“Chocante demais essa história da ligação de parlamentares com o crime organizado!” (Antonio Luiz da Costa, professor)

Final de ano de efervescência política incomum. Casos numerosos, rodeados de acesas polêmicas, atraindo as atenções e preocupações da opinião pública num espaço de tempo relativamente curto.  

O chamado “Projeto da Dosimetria” acabou sendo aprovado pelo Congresso Nacional em circunstâncias desconcertantes, pra dizer o mínimo. No texto saído da Câmara dos Deputados para apreciação do Senado, foram marotamente introduzidos alguns impensáveis “jabutis”. Os autores da indecorosa proeza abriram brechas para aquilo que a mídia intitulou de “liberou geral”. Não é de se ver que os benefícios previstos para os golpistas poderiam se estender também para autores de outras modalidades de crime!? Os senadores, obviamente, retiraram do projeto os extravagantes penduricalhos.

O “Projeto da Dosimetria”, como sabido e notório, tem por mira prioritária assegurar redução de pena para os integrantes da cúpula da intentona. Os implicados nos atentados às sedes dos Três Poderes, “massa de manobra” utilizada como ponta de lança para ações de maior violência e impacto, estão sendo favorecidos secundariamente. Relembremos que as ações por eles deflagradas no fatídico 8 de janeiro não produziram, felizmente, o levante popular e militar concebido pelos idealizadores e patrocinadores do impatriótico complô antidemocrático. Aprovação da redução das penas resultou, pelo que se sabe, de um “acordão” nas caladas da noite, abrangendo até mesmo, conforme suspeitas da mídia, membros do governo e do Judiciário. Algo, está visto, pra lá de estranho. O presidente Lula assegurou que irá vetar o projeto.

A cassação de mandatos parlamentares constituiu outro episódio político ruidoso. O plenário da Câmara Federal “absolveu” a deputada Carla Zambeli, foragida, condenada em dois processos, detida em prisão na Itália. O STF reagiu, estipulando que a cassação do mandato do caso era automática, tendo em vista a condenação. A direção da Câmara resolveu agir com maior firmeza ao avaliar a situação dos deputados Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem respeitando os dispositivos legais, cassou o mandato do primeiro por haver ultrapassado o limite de faltas às reuniões de trabalho, contrariando os dispositivos regimentais. Cassou o segundo por ter sido julgado e condenado pelo STF, considerando sua participação na trama golpista. 

No Rio de Janeiro, o presidente da Assembleia Legislativa, um deputado estadual e um desembargador federal foram presos, acusados de envolvimento com uma das facções criminosas que atuam no País. 

As investigações da Polícia Federal identificaram a participação no crime contra os pensionistas do INSS de um senador da República vice-líder do governo e outros graduados funcionários da Previdência.
Já um outro parlamentar foi apontado como autor de desvio de dinheiro público no esquema das “emendas parlamentares”.

A efervescência política registrada traz à tona muitos atos desedificantes, incompatíveis com os ideais republicanos.


Limites ultrapassados (7 de janeiro de 2026 )

 Estados Unidos e Venezuela: limites ultrapassados

Invasão da Venezuela e prisão de Maduro gerou revolta de países como o Brasil, México e a Espanha

Estados Unidos e Venezuela: limites ultrapassados
Foto: Divulgação Reuters

“Temos um novo xerife.” (JD Vance, Vice-presidente dos EUA, regojizando-se com a ação militar)

Nuvens plúmbeas no horizonte geopolítico. Cenário carregado de tensões, perplexidades e incertezas. O mundo não conseguiu ainda se libertar do estupor causado pela impactante operação bélica ocorrida na Venezuela. São muitas, a perderem de vista, as razões pelas quais o caudilho de Caracas é globalmente reconhecido como um verdugo, violador sistemático dos direitos fundamentais. Pela mesma forma, uma saraivada de motivos explica o júbilo que se apoderou dos venezuelanos diante da perspectiva de um provável reencontro com a democracia. Mas, de outra parte, forçoso admitir, não existe razão alguma, pretexto nenhum, justificativa civilizada qualquer que possam dar suporte a flagrante ruptura com as normas do Direito Internacional, Carta da ONU, Convenção de Genebra e normas de convivência democrática entre nações, tal qual acaba de acontecer.

Brasil, México, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai traduziram em Declaração conjunta o sentimento democrático universal, diante do reprovável ato capitaneado pelo presidente dos Estados Unidos. Diz a nota: “Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas.”

O “NY Times” resumiu em duas palavras a operação: “Ilegal e imprudente”. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres confessou-se alarmado com “o precedente aberto”. Em desacordo com as leis americanas, Trump não notificou o Congresso do “ato de guerra” praticado. Ultrapassou, visto está, todos os limites.  O “dia seguinte” desembocou num torvelinho de fatos inquietantes. Trump deixou bem claro que os EUA ditarão as regras a serem seguidas pela Venezuela daqui pra frente. Descartou, estranhavelmente, a hipótese de recorrer aos préstimos de Marina Corina, Nobel da Paz e líder da oposição a Maduro, numa eventual composição governamental. Ameaçou a vice-presidente empossada, Delcy Rodriguez, caso não siga comportadamente suas ordens. Disse que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pode vir a ter destino parecido ao de Maduro. Afirmou irá gerir os negócios de petróleo no “país irmão” e que chegou a hora de os EUA se ressarcirem das perdas com as expropriações no passado de empresas americanas que operavam na Venezuela. Demonstrando disposição de compor-se com “regime Chavista”, não mencionou hora alguma, nos pronunciamentos a volta à democracia.

Sobra de tudo isso, numa avaliação de momento, amarga sensação. O petróleo é o que importa, a Venezuela que se dane. Vem vindo mais coisa por aí…

A SAGA LANDELL MOURA

Quem poderá conter Trump?

  *Cesar Vanucci “Ato de sublime amor” (Trump, sobre a invasão do Capitólio)   crédito: kleber Sales) "Correio Braziliense" ...