quinta-feira, 2 de julho de 2026

Caos e Poesia: Um senhor espetáculo musical!

Obra merece ser reverenciada

Foto: Denise dos Santos

“Arte é pura catarse”. (Carol Saletti – Dirigente da Escola e Espaço de Dança Casulo)

Já contei aqui.Volto a fazê-lo. Sou fissurado em espetáculo musical. No Teatro, no cinema e em palcos improvisados. Imagino que todo esse fascínio advenha da remota infância. Da participação ativa que tive, ao lado do saudoso mano Augusto Cesar Vanucci, em programações litero-musicais nas estações de rádio, escolas e outros recintos abertos a manifestações artísticas, nos bons tempos da meninice. Faço presente às recordações, a propósito, que Augusto Cesar, como diretor da Linha de Shows da Globo, tornou-se o primeiro brasileiro a ser agraciado com o “EMI Internacional” e o “Ondas Europeu”, em razão do “Arca de Noé”, estrondoso sucesso dos anos 90.

Ao longo dos anos, acostumei-me a assistir todas às grandes encenações musicais levadas efeito em teatros do Rio e outras capitais. Aplaudi com entusiasmo as performances da prodigiosa Bibi Ferreira em “Alô Dolly”, “My fair Lady”, “Bibi canta Piaf” e outras magnificas peças musicais. Permito-me anotar outra vez que meu irmão contracenou com Bibi em “Dolly” e foi protagonista central das comédias musicais ”Como vencer na vida sem fazer força”, “Vamos brincar de amor em Cabo Frio”, “Feitiço na Vila”, com Elizete Cardoso. Atuou também em “Louras e morenas”, com Agildo Ribeiro, Renata Fronzi e Mara Rúbia. Levou para a televisão, onde produziu extensa serie de musicais memoráveis, experiência adquirida no teatro e no cinema. Pertence-lhe o mérito de haver dirigido alguns dos melhores cartazes musicais já projetados na telinha. Criou e dirigiu o “Fantástico”.

Tenho assim por certo que na condição de espectador de centenas de espetáculos (sem contar filmes como“Sinfonia em Paris” e “Retratos da Vida” vistos repetidas vezes), não careço de credenciais para distinguir o que seja um bom espetáculo, um esplêndido espetáculo, um arrebatante espetáculo.

Anotem aí: estas exclamações ajustam-se como luva ao espetáculo “Caos e Poesia”, que presenciei, dias atrás, no Teatro do Sesi Minas. Elenco composto de 190 mulheres, de 35 a 90 anos de idade, alunas da Escola e Espaço de Dança Casulo, brindou plateias em sessões corridas superlotadas, num fim de semana, com representação de grandiloquente estilo. Os aplausos e os “bravos” vibrantes ouvidos ao final de cada um dos 4 atos e 19 arranjos coreográficos trazidos à cena, deixaram à mostra emocionante interação, raramente observadas noutros momentos, entre artistas e público. O magistral enredo, texto lírico contemplando incongruências da aventura humana, as sugestivas figurações coreográficas, o bailado de luzes, as marcações de palco, as eletrizantes partituras musicais – tudo isso remetendo ao talento e fecunda criatividade da idealizadora e produtora do espetáculo Carol Saletti – deixou gravado na memória dos que assistiram “Caos e Poesia” lembranças inesquecíveis, junto com um desejo de “quero mais”.

Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta


Reflexões sobre riqueza e pobreza na era atual, inspiradas pelo marco do primeiro trilionário e suas implicações globais

Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta

“A riqueza não é um fim em si mesma.” (Mayanna, poeta)

Na semana que passou, num mesmo noticiário, dois assuntos capturaram-me a atenção, provocando profunda reflexão sobre os rumos que conduzem a aventura humana.

O primeiro dava conta de um marco inédito na história. Elon Musk, controvertido magnata sul-africano radicado nos EUA, cuja trajetória confunde-se com a audácia tecnológica do nosso tempo, tornou-se o 1° trilionário de nossa Aldeia Global. Alcançou essa culminância everestiana impulsionado pelo sucesso estrondoso da abertura de capital de sua empresa SpaceX. Os cifrões elevam-se a 1,3 trilhão de dólares. A soma equivale a 3% do PIB da maior potência mundial e a 56% do que o Brasil, 10ª economia do mundo, produz em um ano. Essa dinheirama supera o PIB de 175 países, entre eles Taiwan, Irlanda, Suécia, Israel, Argentina e Singapura. A relação de nações com PIB inferior ao patrimônio de Musk contempla toda a América Latina (exceto Brasil e México), toda a África e boa parte da Europa. Seu triunfo não se restringe à conta bancária; reflete o ápice de uma jornada marcada pela ousadia de colonizar o espaço e revolucionar a matriz energética. Símbolo do engenho individual e da capacidade de transformar visões de vanguarda em riqueza.

O segundo registro flagra drama social clamoroso. Em Betim, Região Metropolitana de BH, em arremedos de moradia, refugiados da etnia Warao vivenciaram tragédia humanitária silenciosa. Camila, bebê de 1 ano e 4 meses, nascida em solo brasileiro, filha de indígenas vindos da sofrida Venezuela, teve sua existência ceifada por desnutrição grave. Sucumbiu à fome… Na Terra de Canaã, por assim dizer. Foi mais uma vítima da cruel diáspora que assola grupo de 70 famílias, abrangendo 250 pessoas. Todos vivendo em condições precárias, de favelização extrema, em área desprovida de qualquer vestígio sanitário. A desnutrição crônica alvejou também muitas outras crianças, levadas às pressas para atendimento hospitalar. A problemática cruel atinge de igual modo, adolescentes e adultos. A situação chegou a tal ponto que as autoridades se viram forçadas a decretar estado de emergência na área ocupada pelos Warao, de modo a assegurar um mínimo de cuidados para sua sobrevivência. O caso da bebê índia não é raro, nem isolado. A Unesco denuncia que mais de 1 milhão de crianças, Santo Deus, morrem de fome anualmente.

Escândalo ‘ecumênico’

  Banco Master amplia crise política em ano eleitoral

A cada capítulo, caso Master continua a chocar a sociedade brasileira
Escândalo ‘ecumênico’: Banco Master amplia crise política em ano eleitoral
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

“O roto e o esfarrapado abraçam-se no mesmo camburão” — Domingos Justino Pinto, educador.

Como “adivinhado” por muitos analistas políticos, o escândalo Master vem-se revelando multilateral e “ecumênico”. A “metralhadora giratória” dos mimos do banqueiro corrupto atingiu certeiramente alvos localizados nas mais diferentes e inimagináveis latitudes nos domínios públicos. A cada dia que passa, a sociedade, apoderada de espanto, é cientificada de “novidades” que desfazem a imagem de “bom mocismo” de pessoas tidas e havidas, até então, como cidadãos acima de qualquer suspeita…

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal sob a relatoria do Ministro André Mendonça, do STF, vem oferecendo desdobramentos avassaladores. São vistos como verdadeiro terremoto político-financeiro, o maior já registrado na história republicana. A tese de que a criminosa engrenagem favoreceu indistintamente gregos, troianos, sumérios e astecas, todos espremidos no mesmo balaio, atuando de forma suprapartidária, vai-se confirmando bem explicitamente à medida que as investigações se aprofundam. Outro dia ainda, eram apontados, na legião de suspeitos, como beneficiários do esquema mafioso, os senadores oposicionistas Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e Ciro Nogueira, líder do “Centrão”, ex-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro. Já agora, mais recentemente, o foco se volta, nas diligências policiais, para personagens da situação. As acusações recaem sobre o líder do governo no Senado, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Anteriormente, como sabido, o elenco dos supostos implicados na maracutaia envolveu governadores do Rio de Janeiro e Distrito Federal (ambos da oposição), outros políticos destacados, magistrados da alta cúpula, funcionários do Banco Central e de outras agências oficiais, dirigentes de organização estatal e sabe-se lá mais quem…

Como não poderia deixar de ser, a incandescente questão do Banco Master vem frequentando, de maneira insistente, o debate político nessa fase pré-eleitoral. A troca de farpas entre adversários adquiriu enorme intensidade após as revelações das possíveis participações de políticos de diferentes bandeiras nas fraudes investigadas. Para observadores atentos das contendas retóricas — melhor dizendo, das trocas de desaforo —, soam um tanto quanto divertidas as argumentações dos dois lados. Afinal de contas, o que se observa é o roto atacando o esfarrapado.

Não existem êmulos de Nostradamus, bolas de cristal, cartomancia e jogo de búzios com poderes mágicos capazes de antecipar o que vem pela frente a mais em matéria de revelações chocantes. O que se sabe, com certeira convicção, é que a opinião pública quer que toda essa lambança seja colocada em pratos rigorosamente limpos, doa a quem doer…

Deu a louca outra vez

 


Novo tarifaço, ameaça ao Pix e regulamentação nas plataformas digitais são alguns do novos devaneios de Trump
Deu a louca outra vez
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

“O Brasil não aceita esse tipo de tratamento” (Presidente Lula)

Deu a louca outra vez. O governo dos Estados Unidos resolveu, inesperadamente, aplicar um tarifaço a produtos brasileiros. A medida provocou compreensível espanto. As alegações são pueris, ridículas a não mais poder. Bordejam as franjas do surreal.
O Pix, o varejo da Rua 25 de Março (São Paulo) e a regulamentação das plataformas digitais são, entre outros itens, apontados como instrumentos desagregadores da economia global. Que coisa mais sem pé nem cabeça, santo Deus!

Cuidemos de resumir o que está rolando no pedaço. O Escritório Comercial dos EUA, órgão vinculado à Casa Branca, elaborou um fantasioso documento que gerou a celeuma que ora sacode os redutos políticos e empresariais. No documento, é proposta uma taxa de 37,5% sobre produtos da pauta de exportação brasileira.

O Pix — importante, inovadora e democrática conquista para transações negociais, concebida no governo Temer, implementada no governo Bolsonaro e incrementada no governo Lula — é descrito, pasmo dos pasmos!, como um sistema prejudicial aos “nobilitantes” interesses das operadoras de cartão de crédito estadunidenses. Melhor seria, admite descaradamente o Escritório, que essas operações, hoje monitoradas pelo Banco Central do Brasil, passassem a ser geridas pelas próprias empresas de crédito privadas. Noutras palavras: os Estados Unidos alvejam, insensatamente, uma supertecnologia puramente brasileira para proteger o lobby das bandeiras de cartão americanas.Tão aberrantes quanto revelam-se também as outras justificativas alinhadas para condenar as práticas brasileiras no comércio internacional. A agressividade da investida norte-americana ganha contornos ainda mais graves ao tentar mascarar o puro interesse protecionista sob uma demagógica roupagem humanitária. Para além da tarifa já mencionada, Washington anuncia a disposição de emplacar outra taxa, de caráter “punitivo”, de 12%, argumentando que nosso país incorre em falha na fiscalização do trabalho, permitindo violações dos direitos trabalhistas. Lançar mão de afirmação dessa natureza entra em colisão frontal com o rigoroso sistema de auditoria laboral vigente no país. Trata-se de cínico pretexto.

As entidades representativas das classes empresariais já articulam uma enérgica reação jurídica e diplomática contra a ameaça das sobretaxas. O governo brasileiro estuda acionar imediatamente os painéis de arbitragem da Organização Mundial do Comércio . Contudo, o estrago reputacional e o clima de forte incerteza gerados por esse delírio burocrático e ideológico vindo do Norte já cobram seu preço imediato no câmbio e nas bolsas de valores. As reações deixam evidenciado que o País não aceitará ver sua soberania molestada pela arrogância e prepotência externa

Parceria contra o crime, sim! 4 de junho de 2026 •

Cooperação mútua, sim. Intervenção, não

Foto: Reprodução Unsplash

“Pretexto para intervenção é inaceitável” (Diplomata Celso Amorim)

Vamos lá, a classificação de “terroristas”, atribuída ao PCC e Comando Vermelho, ajusta-se como luvas em mãos de operador de aparelhos de alta precisão. O que as duas organizações criminosas, bem como agrupamentos similares – caso das chamadas milícias — promovem em ações mafiosas pode mesmo ser chamado de terrorismo urbano. Cruel e aterrador.

Se a recente decisão do Departamento de Estado dos EUA encerra o propósito de estruturar sistema mais rígido e eficiente, em estreita colaboração com as forças de segurança brasileiras, no sentido de combater e jugular essas engrenagens criminosas; se a prioridade no trabalho de repressão for mesmo voltada para identificar e deter membros dos grupos dos “fora da lei”, alguns deles homiziados em território estadunidense; se a disposição norte-americana abranger a recuperação dos volumosos recursos levados pelos malfeitores para paraísos fiscais e se os organismos de segurança do país irmão conseguirem interromper de vez o fluxo de armas fabricadas nos Estados Unidos e destinadas a facções que operam no Brasil; se assim for, a medida poderá ser saudada com clarins e fogos de artifícios por inaugurar uma nova e promissora era na segurança pública hemisférica.

Mas, agora, se no reverso das situações descritas, o objetivo for ampliar a esfera de influência dos EUA, por vias oblíquas, de modo a submeter ao alvedrio da Casa Branca questões momentosas da exclusiva competência do Poder Público brasileiro, aí, então, a coisa muda totalmente de figura. Nos setores mais clarividentes da vida pública brasileira acendeu-se um sinal de alerta. Despontou receio quanto à possibilidade da decisão anunciada favorecer atos que se contraponham ao interesse nacional, nas áreas econômica e institucional.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Caso Master ainda vai dar muito pano pra manga





 Bolsonaro é Pix; Lula é Master” (Refrão publicitário retirado às pressas de circulação)

A oposição bolsonarista não se deu bem na solerte tentativa de despejar no colo lulista a responsabilidade por inteiro do impactante escândalo do Banco Master. Como demonstra o noticiário, a guerra de narrativas transformou o caso em um verdadeiro “cabo de guerra” ideológico. Os argumentos do grupo governista, devolvendo aos adversários a pecha da culpabilidade nos fraudulentos e bilionários negócios do clã Vorcaro, vêm encontrando estridente respaldo nas bem conduzidas investigações da Polícia Federal.

As revelações já trazidas a público tornam plausível a tese de que a engrenagem da estrondosa maracutaia foi caprichosamente montada e lubrificada bem antes de 2023. As recentes apurações flagraram “com a mão na botija” uma fileira de próceres políticos engajados na militância oposicionista. Fica bem evidenciado que a operação batizada de “Compliance Zero” trouxe à claridade solar conexões profundas entre o topo do ecossistema político bolsonarista e os escusos interesses do banco. O entrelaçamento gerou em Brasília, na maledicência das ruas, a chistosa historieta de que o chamado Centrão merece ser agora apelidado de “banco do Centrão”.

O primeiro personagem de grande realce das hostes oposicionistas enredado com a trama foi justamente o líder do Centrão, senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil. Contra ele pesam várias acusações; a mais grave é a de que recebia, como “ajuda de custo” para gastos domésticos, a bagatela de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais.

Outro senador, pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), desfrutou de estreita camaradagem com Daniel Vorcaro, dele obtendo grana polpuda supostamente destinada a um longa-metragem sobre o pai, Jair Bolsonaro. Especialistas em cinematografia garantem que o valor estipulado supera de longe o orçamento de qualquer superprodução.

A teia de favores e espúrias conveniências alcançam ainda mais um oposicionista: o governador fluminense, Cláudio Castro. O recesso de seu lar foi devassado por mandados judiciais sob a acusação de ter aposto sua chancela no direcionamento de everestiana quantia do fundo Rioprevidência para as arcas do combalido Master.

Outro governador da oposição que viu seu “filme queimado” por conta de ligações escabrosas com o banqueiro — hoje recolhido à Papuda — foi Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, principal responsável pela débâcle financeira do banco regional de Brasília (BRB).

Além do provável indiciamento de mais um punhado de políticos do grupo já identificado, novos nomes, talvez de outras legendas, poderão ser apontados no correr das diligências policiais, tendo em vista as negociações em torno das delações premiadas.
Dúvida alguma persiste quanto à certeza de que o caso Master renderá ainda muito pano pra manga…

A magnífica mensagem do Papa

 


“A máquina pode simular o intelecto, mas nunca substituir a alma.” (Papa Leão XIV)






As Encíclicas Pontifícias constituem magistrais documentos produzidos com o intuito de despertar consciências e estimular mentes e corações a seguirem diretivas seguras na busca do bem-estar humano e da construção civilizatória. Escusado registrar que se inspiram na sabedoria sagrada cujo marco inicial remonta aos primórdios da vida. Contemplando questões sociais de suprema relevância no curso da história, as Cartas Apostólicas são endereçadas a toda a Humanidade, não apenas aos católicos, ouvidas sempre com fervor e respeito, por significarem jatos de luzes capazes de devassar as trevas do obscurantismo espiritual.

Denominada “Magnifica Humanitas”, a primeira Encíclica do Papa Leão XIV, lançada de forma simbólica em 15 de maio, data evocativa da Rerum Novarum promulgada por Leão XIII, em 1891, é dedicada a tema de flamejante atualidade: “O impacto da Inteligência Artificial no mundo moderno”. As frases alinhadas na sequência, de refulgente significado humanístico, transmitem lições de saber profundo :

  1. “A automação não pode se tornar um pretexto para o descarte sistemático do trabalhador. Uma economia que gera riqueza algorítmica à custa da inatividade forçada da multidão é uma profunda regressão antropológica.” “(…) Substituir a inteligência do coração pelo cálculo frio da máquina, apenas para inflar as margens do capital, é uma violência contra a ordem social.”
  2. “Atrás da promessa de um fluxo computacional limpo e ininterrupto, esconde-se um novo chão de fábrica global. Os corpos e as mentes de moderadores e rotuladores de dados são hoje marcados, feridos e desgastados pelo conteúdo mais sombrio da humanidade, trabalhando na mais absoluta precariedade invisível.”
  3. “Delegar a uma máquina o julgamento de tirar uma vida humana é o ápice da abdicação moral da nossa espécie. Os algoritmos calculam probabilidades, mas carecem de misericórdia, arrependimento e alma.”
    “Sistemas bélicos autônomos reduzem a tragédia da guerra a um mero jogo de eficiência. Ao mascarar a face do sofrimento humano por trás de decisões automatizadas, líderes sem escrúpulos encontram um caminho facilitado para o conflito, usando a tecnologia como cortina de fumaça para suas próprias fraquezas políticas.

Num dos trechos mais emocionantes da Magnifica Humanitas, Leão XIV faz resgate histórico e corajoso. Lança, contrito, pedido de perdão: “Pedimos perdão ao Criador pelas vezes em que, na história, faltou à nossa voz a coragem evangélica para condenar de pronto a escravidão que acorrentava os corpos e comerciava as almas. Não podemos, hoje, reincidir no mesmo silêncio cúmplice diante das novas servidões invisíveis, onde a dignidade do trabalhador é sacrificada no altar dos fluxos digitais e do lucro desmedido.”

Cerco implacável aos crimes digitais

 

“A liberdade de expressão não pode ser biombo para crimes” (Presidente Lula)

Alvíssaras! Até que enfim ganhou contorno entre nós um sistema que se imagina eficaz contra abusos cometidos na despoliciada divulgação digital. O governo acaba de assinar decretos, inspirados em experiências já bem consolidadas na União Europeia, contendo dispositivos eficientes, de teor democrático, com vistas a combater a disseminação de “crimes graves, crimes gerais, conteúdos pagos” cometidos nessa terra de ninguém em que se transformou para muitas mentes pervertidas, a fabulosa internet.

Dias atrás, em Brasília, foram assinados atos conferindo urgência institucional e prioridade absoluta à candente matéria, há muito debatida por todos os setores comunitários, preocupados com a avalanche de situações danosas geradas pelo emprego indevido e delituoso de um instrumento nascido do salutar objetivo de favorecer a construção humana. Ficou evidenciado, no evento, que a posição do poder público não representa mera proclamação retórica. O arcabouço normativo fixa rigoroso regime de responsabilidade civil e estipula severas sanções, atribuindo à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, recriada em 2022, o múnus e a competência imperativa de fiscalizar e punir os desvios perpetrados pelas corporações monopolistas de tecnologia.

A promessa oficial é de oferecer cerco implacável aos crimes graves, compreendendo a violação de direitos fundamentais sistêmicos. Estipula-se que as plataformas cumpram o dever de cuidados mitigadores, obrigando-se a agir preventivamente de modo a impedir a circulação de conteúdos que configurem:

a) crimes previstos na Lei do Estado Democrático de Direito (atentados contra a soberania ou instituições democráticas); b) atos de terrorismo ou preparação de atos terroristas; c) práticas tipificadas na Lei de Racismo e homofobia; d) crimes de violência contra a mulher previstos na Lei Maria da Penha; e) conteúdos que induzam, instiguem ou auxiliem o suicídio ou a automutilação, bem como crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.

A lista dos chamados “crimes gerais” a serem extirpados das plataformas abarca delitos de menor potencial ofensivo, ou de natureza privada, como calúnia, injúria, difamação e fraudes ao consumidor. Define-se também que a responsabilidade civil da plataforma é subsidiária, mas imediata após a ciência formal da ocorrência.

No que tange aos “conteúdos pagos”, o decreto diz que, como se trata de um serviço comercial e de publicidade, as empresas de tecnologia têm responsabilidade civil objetiva.

Como já aconteceu noutros momentos, os decretos suscitarão reações dos negacionistas de plantão. Serão, fatalmente, por eles classificados, com apoio no exterior, de afrontosos à liberdade de expressão. Não é o que pensa, óbvia e saudavelmente a sociedade brasileira.

Enredo inimaginável amplia desgaste político com Caso Master

 

“Queimação de filme” vaticinada pelo caso do banco Master segue num crescendo assustador

Essa história vai acabar queimando o filme de muita gente” (Comentário ouvido na TV)

Aos primeiros sinais da bandalheira que monopoliza o noticiário, um comentarista prognosticou: “Essa história do Master vai acabar queimando o filme de muita gente.” Profecia certeira. Que o diga o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, com suas ensaboadas explicações sobre o aporte financeiro bilionário de Daniel Vorcaro para suposto financiamento de superprodução hollywoodiana, retratando vida e obra de Bolsonaro pai. Houve quem, escutando Flávio, evocasse o famoso comediante mexicano Cantinflas, notabilizado no cinema pelo estilo de falar muito sem dizer nada, embolando as palavras e deixando os interlocutores sem entender patavina.

A “queimação de filme” vaticinada vai num crescendo assustador. Promete enredar um bocado de cidadãos “acima de qualquer suspeita”, com realçante presença no cenário político e administrativo. Ocupam eles posições no Parlamento, na alta Magistratura, em importantes órgãos públicos e por aí vai. As revelações trazidas a lume representam mero introito de enredo repleto de atos mafiosos que documentam a impressionante capacidade de sedução exercida pelo mentor da “fabulosa maracutaia” sobre personagens de diferentes estamentos sociais influentes na condução dos negócios da Nação.

Paralelamente ao vazamento do áudio em que Flávio Bolsonaro solicita grana de Vorcaro, a Polícia Federal ampliou as diligências para capturar os elementos engajados na parte operacional do tenebroso esquema de fraudes e intimidações. Tais ações consolidam volume robusto de evidências materiais, saindo, agora, do campo das suposições para a materialidade jurídica.

As delações premiadas parecem inevitáveis. Delas resultarão outros impactantes relatos. Advogados de defesa do acusado admitem que as delações a caminho vão causar profundo abalo.

Comenta-se também nos bastidores de Brasília que o áudio sobre a dinheirama repassada por Vorcaro teria sido vazado pelo próprio banqueiro, como recado ao grupo político e empresarial de sua rede de ligações para que não o abandonem à própria sorte. Faz sentido calcular que outros áudios comprometedores poderão pintar no pedaço a qualquer momento. O vazamento, nesses moldes, funciona como uma espécie de fatura preventiva para garantir “lealdade”.

As pesquisas eleitorais feitas anteriormente à divulgação do áudio do candidato do PL registraram “empate técnico” entre ele e Lula. Especula-se muito, nos redutos partidários e na mídia, sobre quais serão, nas pesquisas vindouras, as reações dos eleitores consultados.

Falar verdade, esse cabuloso e inimaginável enredo até que daria filme, com financiamento bem menor. Um legítimo thriller policial à brasileira com dispensa dos efeitos especiais de Hollywood

Não, o Itacolomi não! 14 de maio de 2026 •

 

Exploração minerária até os contrafortes do Pico do Itacolomi, em Ouro Preto, Patrimônio Cultural da Humanidade, é motivo de preocupação

Indigestos reveses 9 de maio de 2026 •

 A Corte precisa ser preservada.” ( Anna Maya, escritora)

As relações entre os Poderes azedaram pra valer. O Congresso infligiu contundentes reveses ao Planalto.
Um deles, referente à redução de penas aos golpistas, de certa forma já aguardada. O que causou desconforto foi a gritante diferença de votos observada.

O outro revés, envolvendo a rejeição de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no colegiado do STF, pegou as lideranças governistas de surpresa. Abalou interlocuções que se imaginavam promissoras, ligações políticas aparentemente amistosas, levantando suspeições sobre o comportamento, no processo, de supostos aliados do situacionismo.

Não se pode deixar de reconhecer que as tricas e futricas, típicas do momento pré-eleitoral, contribuíram em demasia para o entrechoque de interesses registrado. No entanto, faz-se míster admitir que a decisão do Parlamento foi ainda fortemente influenciada pela disposição de não mais se garantirem sufrágios, para tão elevadas funções, a nome notoriamente vinculado ao presidente.

No ver de muitos parlamentares, a Corte precisa ser preservada, em sua composição, da presença contínua de personagens, por mais brilhantes e capazes que sejam, comprometidos politicamente. A objeção a Messias, de acordo com esse entendimento das coisas, nada teria a ver, por conseguinte, com uma negação de seus méritos. Na realidade, o ex-advogado da União desfruta, na vida pública brasileira, de larga admiração e apreço pelo saber jurídico e poder empreendedor.

O que está por acontecer agora? No tocante à derrubada do veto da chamada dosimetria, a candente questão está fadada a enveredar pelo caminho da judicialização. O Supremo será fatalmente impelido a pronunciar-se.

Quanto ao preenchimento da vaga no STF, o governo poderá fazer nova indicação antes da eleição, talvez até, como já aventado, de jurista mulher negra. A hipótese de que o esquema da escolha seja deixado para o próximo ano, noutra gestão, não está de todo descartada.

2) Racismo reverso

Para ficar suficientemente esclarecida, a historinha carece ser lida mais de uma vez. Seguinte: autarquia federal dos EUA, especializada em questões raciais, recebeu ordem do presidente Donald Trump para questionar na Justiça o “The New York Times” por crime de preconceito racial.

A acusação diz que um funcionário branco do sexo masculino foi preterido numa promoção para o cargo de editor adjunto. Argumentou-se que o elemento era “significativamente mais qualificado”, mas a escolha acabou recaindo em mulher negra. O “New York Times” é o maior jornal do mundo, com 3 milhões de assinantes. Trump já moveu ações bilionárias contra o periódico, sustentando haver sofrido prejuízos de imagem em matérias estampadas sobre sua trajetória política e empresarial.

A SAGA LANDELL MOURA

Caos e Poesia: Um senhor espetáculo musical!

Obra merece ser reverenciada Foto: Denise dos Santos “Arte é pura catarse”.  (Carol Saletti – Dirigente da Escola e Espaço de Dança Casulo) ...