“Um cidadão dá desfalque de mais de 40 bilhões
e tem ainda gente que o defenda”. (Presidente Lula sobre o caso Máster.)
Colocar
os pingos nos “is”. Todos os pingos em todos os “is”. Corrigir o rumo
processual, deslocando-o para a alçada competente. Desfazer por completo
qualquer tênue sombra de dúvida sobre o comportamento de pessoas graduadas do
cenário público. Dar nome aos bois, quais quer que sejam “os bois”. É o que, em
cristalina verdade, a vigilante opinião pública espera das investigações em
curso pertinentes ao imbróglio do Máster.
Pelas
apurações já vindas a lume, a impressão que fica é de que os autores da
descomunal fraude espicharam muito além dos limites preconizados por Dale Carnegie
“a arte de fazer amigos e influenciar pessoas”... Faz-se necessário, a essa
altura do campeonato que os setores competentes, atuando com rigor, livre e
desembaraçadamente, exponham a anatomia da maracutaia, o destino da dinheirama,
o motivo pelo qual auditorias credenciadas abalizaram, por tanto tempo, a
ficção contábil.
Há
perguntas que não querem calar. Uma delas: quem abriu as portas para que uma
instituição bancária combalida tentasse audaciosamente uma fusão com organização
pública, utilizando títulos financeiros de lastro falso nas operações? Mais
pergunta pela frente. Que desígnios misteriosos são esses que levaram o Banco
Regional de Brasília a adquirir ativos podres do Máster? Outra pergunta: o que
pela mesma forma conduziu administradores de fundos de pensão e aposentadoria
de servidores públicos, no Rio de Janeiro e em outros Estados a investirem
reservas pertencentes aos associados em papeis fajutos de uma organização de
crédito em situação de quase insolvência, ignorando pareceres técnicos que
desaconselhavam as operações? Afigura-se impensável, intolerável, inadmissível
a mais leve possibilidade de que os desatinos descritos possam vir a prejudicar
a grande massa de servidores públicos contribuintes dos planos previdenciários
colocados em risco por gestores negligentes ou inescrupulosos.
Não estamos diante apenas de um caso de
policia. Estamos, sim, confrontando um penoso teste de estresse para as
instituições brasileiras. Se os pingos não forem devidamente colocados nos
"is" neste preciso momento, a mensagem propagada, para escândalo da
nação, será a de que o crime do colarinho branco continua sendo o investimento
de maior retorno e menor risco. Para desdita geral. A sociedade brasileira
aguarda o próximo capítulo da história. O enredo comporta, fatalmente, o rastreamento de ativos despejados no exterior
e a identificação dos prováveis sócios
ocultos das mutretas praticadas. É o momento de separar o joio do trigo
e garantir que o custo da fraude não recaia, mais uma vez, sobre os ombros do
pagador de impostos e do pequeno investidor.
Jornalista cantonius1@yahoo.com.br






