sexta-feira, 24 de abril de 2026

A estridência dos penduricalhos

 


Cesar Vanucci*

“A moralidade pública é lesada quando o privilégio se fantasia de norma legal.” (Domingos Justino Pinto, educador)

Os estridentes “penduricalhos milionários” não são de agora. Remontam a várias décadas, abrangendo um espaço de tempo bastante dilargado e vindo à baila vez por outra, como ocorre presentemente. A perduração dessas vantagens pecuniárias demonstra a força corporativa de segmentos bucráticos acostumados a driblarem, escandalosamente, regras em benefício próprio. Esses agentes são conhecidos popularmente como “marajás”.

A Constituição Federal estipula um teto remuneratório para o serviço público. Este, porém, é descerimoniosamente sobrepujado por algumas poucas categorias por meio de artifícios jurídicos e normas regimentais artificialmente instituídas.

Volta e meia, a momentosa questão frequenta as manchetes, ensejando compreensíveis críticas e levando as autoridades competentes a tentativas de explicação a propósito do inexplicável. Pululam, nessa hora, sugestões, propostas e fórmulas engenhosas para se pôr cobro à anômala situação.

Ainda outro dia, no desfecho de bem-intencionadas negociações pertinentes à questão, ganhou forma uma proposta por muitos recebida como marota. Ao invés de uma decisão ordenando o respeito rigoroso ao preceito constitucional, o que se concebeu — à guisa de “acerto provisório” até que o Congresso examine uma fórmula definitiva — foi a elevação do teto salarial do nível atual de R$ 46 mil para R$ 75 mil. Ora, veja só!

A opinião pública não escondeu sua perplexidade ao saber que, entre beneficiários do fajuto esquema, surgiram vozes de protesto contra a insólita proposta. Uma desembargadora do TJ do Pará, que recebe um holerite de R$ 107 mil, ousou vir a público para dizer que a “perseguição” feita à magistratura lembra o “tempo da escravidão”.

Tem-se por certo que a juíza não representa a grande maioria da classe. Mas não se pode deixar de comentar que tal comparação, além de ultrajante, revela um descolamento absoluto da realidade. Insulta os brasileiros que lutam diariamente com o salário mínimo para sobreviver.

Essa desconexão com o sentimento popular é o que mais agride a ética democrática. Enquanto o País discute cortes de gastos, ajustes fiscais e reformas que pesam sobre os contribuintes, uma elite encastelada em interpretações jurídicas cria um universo paralelo de ganhos.

O argumento das "verbas indenizatórias" tornou-se o duto por onde escoa a moralidade administrativa, permitindo que auxílios de toda sorte — moradia, alimentação, saúde e educação — se somem ao subsídio principal, transformando o teto em ficção jurídica. O que se espera das instituições, em momentos de crise e desigualdade acentuada, é o exemplo. No entanto, o que se vê são atos corporativos que ignoram o clamor das ruas.

*Jornalista (cantonius1@gmail.com.br)

 


Trump e o Papa: tensão global reacende temores geopolíticos -18 de abril de 2026 •

 Carga dos desvarios do presidente norte-americano é volumosa e volta a atingir o pontífice

Entre a luz e as trevas -16 de abril de 2026

 Entre a grandeza da vocação e a pequenez das escolhas cotidianas, abre-se o abismo em que tropeçam civilizações inteiras

Entre a luz e as trevas
Foto: Divulgação Nasa / Via Reuters

“Onde houver trevas que eu leve a luz”. (São Francisco)

De repente, não mais que de repente, no silêncio da noite, durante voos condoreiros da imaginação, uma nesgasinha de dúvida espicaça o raciocínio lógico.

Falar verdade, bem mais do que difícil, afigura-se irremediavelmente impossível reconhecer no brutamontes que povoa este planeta, responsável por conflitos intermináveis, vidas despedaçadas, destruições irreparáveis, por inumeráveis outros atos atentatórios à dignidade da vida, criatura suficientemente provida de grau de espiritualidade capaz de espalhar harmonia por onde caminhe.

Da escotilha da nave que singra a prodigiosa vastidão cósmica, os astronautas captam imagem, de estonteante beleza, de nosso planeta. Como explicar dualidade tão atroz? Como explicar esse paradoxo atordoante? De uma mesma fonte geradora, brotam reações que vão de Alfa a Omega, produzindo, num dos extremos, efeitos apavorantes. A vontade que colocou a espaçonave no campo infinito do céu é a mesma que aciona os mísseis, semeando o terror e ameaçando a sobrevivência da espécie e o extermínio da civilização.

Mas que contradição insondável é essa que habita a condição humana! Repitamos: a mesmíssima inteligência que manipula partículas subatômicas, que cura enfermidades, que planta edificações portentosas é, desconsoladoramente, a mesma que gera instrumentos devastadores, eliminam vidas preciosas e transformam em escombros estruturas de conforto e bem-estar. Bem provavelmente, os equívocos detectados não estão situados no cerne das Escrituras e, sim, nas interpretações imperfeitas que delas fazemos, devido a contaminações nascidas da vaidade, da arrogância, da prepotência, da ambição hegemônica, inerentes a conduta humana. Tomados por embriagante autossuficiência, face a conquistas e avanços expressivos, o ser humano julga-se pronto, acabado e merecedor do selo da perfeição. Disso fazem prova, em não poucos momentos, muitos líderes mundiais que se arvoram em “donos do mundo”.

Ser feito à imagem e semelhança do Criador não significa atingir sua inalcançável plenitude, mas carregar em estado de semente a potência do divino: a liberdade de criar, a faculdade de escolher, a possibilidade tanto do gesto luminoso quanto da sombra devastadora. Em vez de retrato concluído, somos rascunho. Em vez de obra pronta, projeto em permanente construção. Daí a vertigem: entre a grandeza da vocação e a pequenez das escolhas cotidianas, abre-se o abismo em que tropeçam civilizações inteiras. O ser humano vagueia, enquanto evolui, entre a luz e as trevas.

STF e Pix novamente na mira

 Capitaneados por Donald Trump, norte-americanos voltam a mirar na democracia brasileira

STF e Pix novamente na mira
Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

Não se pode invocar a liberdade de expressão para o cometimento de crimes” (Edson Fachin, Presidente do STF

Lá vêm eles de novo! Forças obscurantistas, muito bem identificadas no visor da opinião pública, valem-se, outra vez mais, de manobras cavilosas com o intuito de criar intrigas e suspeições nas relações oficiais entre o Brasil e os EUA.

O Comitê Judiciário da Câmara de Representantes, influenciado ao que tudo faz crer pela Maga, organização fundamentalista com traços de atuação facistoides, emitiu relatório sustentando que a Alta Corte estaria adotando medidas de censura com alcance internacional, inclusive mirando conteúdos divulgados nas redes sociais norte-americanas.

A estapafúrdia alegação foi rechaçada, de pronto, pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. Afirmou ele: “nas últimas décadas, o Supremo tem atuado na defesa e na promoção da liberdade de expressão no Brasil, inclusive para impedir restrições indevidas a esse direito por decisões judiciais. É o que se extrai de seus inúmeros julgados emblemáticos sobre o tema”. O relatório – enfatiza Fachin – distorce o funcionamento do sistema jurídico e o alcance das decisões do STF. Segundo ele ainda, eventuais esclarecimentos serão formulados pelos canais diplomáticos e no nível adequado. Eis aqui outro ponto momentoso comentado pelo presidente do STF: “entende-se que, em determinados casos, a liberdade de expressão pode excepcionalmente sofrer limitações pontuais, em particular quando estas sejam necessárias à preservação da eficácia de outro direito fundamental. Do mesmo modo, não se pode alegar o direito à liberdade de expressão para o cometimento de crimes tipificados em lei”.

Uma outra arguição fora de propósito, provinda da Câmara de Comércio estadunidense, considera o Pix – ora, veja pois! – instrumento prejudicial às empresas americanas de cartões de crédito. Como se recorda, a absurda acusação foi também levantada por ocasião da imposição do famigerado tarifaço, ano passado. Chegou-se também, naquele momento, até mesmo ao cúmulo do absurdo de se apontar as atividades do comércio de varejo da rua 25 de Março em São Paulo, maior centro comercial a céu aberto da América Latina, como fator de ameaça à pujante economia norte-americana… Concebido por técnicos do Banco Central no governo Temer, implementado com êxito no governo Bolsonaro e incrementado no governo.

Lula, o Pix representa uma magnífica conquista tecnológica legitimamente brasileira, em constante processo de aprimoramento e em vias de ser adotado universalmente. Tal circunstância incomoda – e muito! – poderosas oligarquias financeiras. Deriva daí, a febril ofensiva contra esse sistema inovador, de cunho democrático, tão bem assimilado nos hábitos negociais da gente brasileira.

Os poderes da República têm deixado bem claro a disposição inabalável de repelir essas solertes ações contrárias à soberania nacional.

Entre o crime e o Estado, o Rio é de todos nós -9 de abril de 2026 •

 Prática de atos delituosos tem sido uma constante na vida carioca

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A América reage aos desvarios de Trump -2 de abril de 2026 •

 Os EUA de Donald Trump não são, positivamente, os EUA que o mundo tanto louva! 

“A reputação de nosso país no cenário mundial está sendo arruinada por Trump”. (Atriz Jane Fonda)



Entre eletrizados e comovidos, homens e mulheres de boa vontade em todo o mundo acompanham as manifestações de indignação democrática que explodem nas ruas dos Estados Unidos. Num único dia, simultaneamente, em 3 mil pontos urbanos do país, multidões calculadas em quase dez milhões expressaram um “NÃO” categórico à tresloucada aventura belicista e outros atos de chocante feição autocrática adotados por Donald Trump nesta segunda passagem pela Casa Branca.

Tanto quanto a imensa maioria das pessoas amantes da paz espalhadas por todos os rincões de nossa aldeia global, a gente dos Estados Unidos condena o uso irresponsável da força para dirimir questões que afetam a convivência internacional. Com Trump no poder, a superpotência que abriga as correntes mais ativas do pensamento liberal democrático contemporâneo tem surpreendido a comunidade das nações com decisões que se contrapõem aos valores humanísticos que conferem dignidade à vida. Se essa benfazeja reação produzirá ou não resultados práticos, impedindo ocorrências mais gravosas, de consequências imprevisíveis, ninguém sabe com certeza prever, neste preciso momento.

Mas de alguma forma, a sinalização emitida poderá, quem sabe, desencorajar uma que outra ação capaz de tornar ainda pior as situações de desassossego presentemente vivida.

A famosa atriz Jane Fonda sintetizou magistralmente a vontade de seus compatriotas, nesta hora conturbada. Projetou mais longe o brado de inconformismo dos intelectuais, das lideranças, da gente do povo, diante dos indesejáveis conflitos armados, deportações desumanas, atitudes racistas, outros notórios desvarios que enodoam hoje a história, tão rica em tradições, de seu país. Disse: “A reputação de nosso país no cenário mundial está sendo arruinada por Trump”. Cabe ainda ressaltar, um outro episódio que documenta bem o estado de espírito de justo inconformismo hoje reinante em vastas camadas da população norte-americana. O titular do departamento de antiterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, até outro dia incondicional seguidor de Trump, renunciou ao cargo por divergir de sua conduta beligerante. Alegou que, em instante algum, o Irã representou ameaça aos EUA.

Os Estados Unidos de Donald Trump não são, positivamente, os Estados Unidos que o mundo tanto louva!

2. Só faltava essa – A Assembleia Geral da ONU aprovou por esmagadora maioria de votos, moção que reconhece a “escravidão como o maior crime de lesa-humanidade”. Apenas 3 países votaram contra. Adivinhe quais são eles? Estados Unidos, Israel e Argentina.

Cesar Vanucci

Outras profecias - 28 de março de 2026

 

Outras profecias, agora de Nostradamus

Ano de 2026 reserva acontecimentos impactantes para a humanidade .0x
Outras profecias, agora de Nostradamus
Foto: Reprodução Adobe Stock

Brasil coração do mundo, pátria do Evangelho”. (Chico Xavier)

Estes dizeres foram digitados na quinta-feira, 26 de março de 26. Acabamos de ouvir, no YouTube, vídeo postado, por J.J. Benitez, reportando-se outra vez ao instigante tema das profecias. Desta feita sua atenção se volta para Nostradamus, apontado como o maior profeta da história. 

De nacionalidade francesa (1503 a 1566), Nostradamus era médico, sobressaindo-se na vida cultural europeia como astrólogo e vidente. No livro “LesProphéties”, composto de 942 quadras poéticas (Centurias), previu, segundo os estudiosos da obra, acontecimentos marcantes no longínquo futuro, alcançando vários séculos. Ao vidente francês é atribuída previsão sobre a sessão do nazismo com a espantosa indicação do nome de Hitler.

Em sua recente fala, J.J. Benitez interpreta as “Centurias” correspondentes, conforme explica, aos tempos de agora. As revelações trazidas são impressionantes. Geram compreensivelmente expectativa ardente, por parte das pessoas que delas tomam ciência. O ano de 2026 – assim entende Benitez, baseado nas profecias de Nostradamus – reserva acontecimentos impactantes para a humanidade. A sinalização dada é no sentido de transformações cruciais. Vejamos o que estará (ou estaria) para acontecer proximamente.

O enigma dos Óvnis (Objetos Voadores Não Identificados) será finalmente desvendado. As superpotências não conseguirão mais ocultar o fato de que o universo é povoado por outras civilizações inteligentes, diante de massivas aparições nos céus dos chamados Discos Voadores. Benitez concatena a profecia de Nostradamus com uma previsão do nosso Chico Xavier, dada a conhecer alguns anos atrás. O fato – pontua – abalará nossa visão do mundo. 

A intensificação da guerra cibernética, silenciosa e de consequências imprevisíveis, já em curso, produzirá, daqui pra frente, “apagões” inesperados de grandes proporções nos sistemas movidos a energia. As revelações de Benitez contemplam também a exacerbação dos fenômenos climáticos, na mesma linha dos prenúncios feitos pela ciência e que são descerimoniosamente negados por lideranças políticas autocráticas, como sabido. Inundações de vastos territórios, causadas pelo degelo das calotas polares, além de erupções vulcânicas súbitas acarretarão o deslocamento de contingentes humanos consideráveis, aumentando as levas de refugiados.

Em meio a esse turbilhão surge uma previsão – é ainda Benitez que explica – de algum modo consoladora. No ano que atravessamos irromperá uma força catalizadora de cunho espiritual, com foco de radiação a partir da América Latina, Brasil provavelmente, capaz de traçar um novo roteiro de paz e esperança para este mundo tão conturbado. Benitez, neste ponto da interpretação que faz das profecias de Nostradamus, cita novamente Chico Xavier. Lembra que o ilustre brasileiro proclamava sempre que o nosso País é o coração do mundo e a pátria do Evangelho.

Como disse aqui, esperar pra ver.

Uma profecia assombrosa - 26 de março de 2026 •


Vidente previu que no ano de 2026 um líder político controvertido dos EUA não conseguiria concluir o mandato.0x
Profecia assombrosa sobre os anos 2020 ganha repercussão
Foto: Departamento de Estado dos EUA/Divulgação

“O homem de cabelos dourados não concluirá o mandato”. (Jeane Dixon, vidente estadunidense)

Tomamos ciência da assombrosa predição numa fala, na televisão, de J. J. Benitez. O jornalista espanhol, notabilizou-se como infatigável pesquisador de fenômenos insólitos. É autor de 60 livros, entre eles a saga “Cavalo de Tróia”, um clássico do “Realismo Fantástico”. Ele é tido na conta de um “Contemporâneo do Futuro”, alguém provido de dons singulares capaz de enxergar, além do óbvio, as coisas deste mundo repleto de inexplicabilidades.

Benitez tornou pública a revelação de que a famosa vidente norte-americana Jeane Dixon (1904–1997), dois anos antes de sua passagem, profetizou dramáticos acontecimentos para os vindouros anos vinte. Antes de anotar as previsões do período assinalado, cuidemos de passar ao leitor informações sobre Jeane Dixon.

Católica, Dixon é celebrada nos meios exotéricos e espirituais de vanguarda como excepcional vidente. Na adolescência prognosticou a queda da Bolsa de Nova York, alertando os parentes para que desfizessem de bens antes da debaque. Com um ano de antecedência previu o ataque japonês à Pearl Harbor, episódio que arrastou os EUA à II Guerra Mundial. Descreveu com detalhes, anos antes do ocorrido, o atentado a Kennedy em Dallas. Na ocasião, jornal de grande tiragem, em tom machista, aconselhou-a a dedicar-se a tarefas domésticas em lugar de fazer adivinhações malucas. Transitando pelo local onde, muitos anos depois Robert Kennedy foi assassinado, vaticinou o atentado que retirou da cena política o segundo Kennedy famoso. O escândalo de Watergate foi também por ela prenunciado. Antecipou a chegada de uma invenção revolucionária, que seria vista ao mesmo tempo como “bênção e maldição”. Falava da internet. O pioneirismo russo na aventura espacial, a queda do muro de Berlin e o desmoronamento do império soviético figuraram também em suas projeções do futuro. 

As citações englobam acertos proféticos marcantes, havendo registros de predições que não se consumaram, segundo consta de sua opulenta biografia. Para o momento presente, de acordo com a revelação de Benitez, Dixon previu que no ano de 2026 um líder político controvertido, de cabelos dourados, assumiria pela segunda vez, após uma derrota eleitoral, o governo dos Estados Unidos, mas não conseguiria concluir o mandato. As ações deste mandatário produziriam abalos políticos e financeiros na ordem mundial. Benitez explica que três “janelas de risco” se abrirão no período, envolvendo a retirada do líder da cena. Uma, agora em março; outra em julho e finalmente uma outra em novembro. O final abrupto do mandato não viria em consequência de morte, mas de fatores dramáticos advindos de vontade humana e de convulsão climática.

O jeito é acompanhar a marcha dos acontecimentos até final de novembro.


quinta-feira, 19 de março de 2026

Duas mulheres destemidas


Cesar Vanucci*

“Coragem é a dignidade colocada sob pressão” (John Kennedy)

O relato a seguir foi feito em reunião evocativa do Dia da Mulher. Repasso-o agora, com justificável satisfação ao estimado leitorado. 

Quando John Kennedy foi assassinado, em 63, uma rede de TV retirou a programação, colocando no lugar vinheta com a palavra “vergonha”. Foi a forma encontrada de traduzir a santa ira da sociedade diante da ocorrência que afastou da cena mundial uma liderança carismática, comprometida com a construção de um mundo melhor.

O estado de choque causado, anos mais tarde, no Brasil, com a cassação dos direitos políticos do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira povoou os corações brasileiros de emoção bem parecida. A sensação de “vergonha” ficou estampada nos semblantes. Só que, por motivos óbvios, era difícil aparecer alguém com suficiente ousadia para tornar pública sua compreensível indignação. No entanto, para espanto geral, apareceu um casal em Uberaba, educadores de escol, sem qualquer militância política, que não se intimidou com a tormenta da hora. Os nomes da destemida dupla: Alda Vanucci Loes Frateschi e Alberto Frateschi, ambos de saudosa memória. Ele, maestro renomado, ela esplêndida guerreira consagrada a causas culturais e humanitárias. Ambos fundadores do conceituado Conservatório Musical de Uberaba. Em manifesto de página inteira, estampado nos diários locais, Alda e Alberto expressaram indignação e inconformismo. Deixaram cravado, para a história, em soberbo pronunciamento, o seu protesto. Exemplo isolado e raro de coragem cívica, extremamente valorizado, por haver brotado de pessoas do povo não envolvidas nas engrenagens sedutoras do poder.

Muitos anos depois, outra cena empolgante. A Polícia Militar MG prestava, numa bela cerimônia, tocante homenagem à memória do cel. Américo de Magalhães Goes. Um humanista dotado de invejável bagagem cultural. O agradecimento pela carinhosa manifestação,  ficou a cargo da viúva, a também saudosa Anita Rosa de Magalhães Goes. Num discurso memorável, repassado de emoção, acompanhado com respeito por centenas de convidados, civis e militares graduados, ela falou de sua gratidão. Para revelar depois, em tom de veemente lamento, expressando revolta, que naquele preciso momento um grande amigo seu, Juscelino Kubitschek de Oliveira, encontrava-se injustamente preso, depois de haver sido injustamente cassado. Mesmo os que conheciam e admiravam Anita pelos seus extraordinários dons, autoridade moral e engajamento em causas nobres, ficaram surpreendidos e eletrizados com esse gesto de notável destemor.

Estou contando essas historietas, primeiramente, para realçar posturas pessoais dignas de louvor, como contribuição à memória cívica. E, segundamente, para dizer, com certa pontinha de orgulho na fala, que essas mulheres são, ambas, modéstia à parte, primas deste desajeitadíssimo escrevinhador.

cantonius1@yahoo.com.br

segunda-feira, 16 de março de 2026

Delação à vista?

 16 de MARÇO de 2026 •


“Daniel Vorcaro é uma ‘caixa preta’ da ‘banda podre’ da política.” (Jornalista Valdo Cruz).

Nos fervilhantes bastidores políticos de Brasília circula com intensidade a intrigante informação de que os estoques de remédios para dormir e combater ansiedade extrema acham-se esgotados nas farmácias. Tudo por culpa, tá na cara, do que pode vir a furo nos capítulos seguintes da trepidante novela, uma emoção atordoante por minuto, do caso Máster. O que mais se teme, no modo de entender de experimentados especialistas em coisas que rolam no pedaço político do Distrito Federal, é uma eventual “delação premiada” do banqueiro preso ou de algum de seus imediatos.

Nos últimos dias, a boataria a respeito da hipótese aventada ganhou forte impulso, à vista da troca do advogado de defesa assim que se configurou a decisão da 2ª Turma do STF confirmando a prisão do empresário solicitada pela PF e decretada pelo Ministro relator André Mendonça. O advogado que assumiu o patrocínio da causa, ao contrário de seu antecessor, é conhecido por mostrar-se favorável a acordos de colaboração dos réus com a justiça, como registra sua atuação nos tribunais. A mudança pode estar sinalizando o fim de um tempo marcado por retórica de resistência e o provável começo de um posicionamento pragmático capaz de conduzir à abertura da “caixa preta”.

A possível quebra do lacre dessa “Caixa de Pandora” é enxergada por alguns como um “Deus nos acuda”. As investigações da PF levaram à apreensão de 111 celulares de pessoas supostamente ligadas as ações clandestinas do “Máster”, 11 deles do próprio Vorcaro. Menos de 50 por cento do conteúdo periciado de um único celular já rendeu toda essa celeuma que tomou conta do noticiário. Tal constatação é, obviamente de tirar fôlego de quem acompanha os desdobramentos da história e, também, motivo de dar calafrios na espinha de quem, direta ou indiretamente, próximo ou remotamente se sinta comprometido com as fraudulentas operações.

Mudando de tecla. Com toda certeza, não existe, por parte do Ilustre Ministro Edson Fachin, Presidente do STF, intenção preconcebida de vincular com o “caso Máster” palavras recentemente proferidas sobre o papel da justiça na conjuntura política. Mesmo assim, parece-nos oportuno sublinhar trechos do clarividente pronunciamento. Aqui estão:

“Tribunais constitucionais precisam exercer ‘humildade institucional’ e resistir à tentação de assumir decisões que deveriam ser tomadas por outros poderes da república”. (...) “Juízes têm autoridade para interpretar a lei, mas não podem se colocar como substitutos do debate político.” (...) “Os tribunais têm autoridade para dizer o Direito, mas não têm o monopólio da sabedoria política (...) “Não temos o voto. Temos o argumento da lei e, acima dela, o argumento da Constituição.” Falou disse!   

A SAGA LANDELL MOURA

A estridência dos penduricalhos

  Cesar Vanucci * “A moralidade pública é lesada quando o privilégio se fantasia de norma legal.” (Domingos Justino Pinto, educador) Os es...