terça-feira, 1 de abril de 2025

A ambição expansionista do “xerife”

 


 

*Cesar Vanucci

“Nunca descarto o uso de força militar” (Donald Trump, sobre a Groenlândia.)

 


São impactantes e de abrangência global os efeitos da febricitante atuação do “xerife” Trump, disparando a torto e a direito seus atos executivos. Não há, por conseguinte, como as questões suscitadas nesses atos deixarem de frequentar insistentemente as preocupações da opinião pública, nem tampouco as atenções dos comentaristas. Vejam, pois: o dirigente do mais poderoso país do mundo deixa escancarada a disposição de apoderar-se na marra de territórios Soberanos, aliados incondicionais em todas as ocasiões.  O caso da Groenlândia é bem emblemático. Com desfaçatez só vista antes na fala de déspotas que infernizaram a história mundial, ele afirma, reafirma e confirma o propósito de fazer de área vinculada à Dinamarca uma província estadunidense.  Não esconde sua cobiça pelas riquezas existentes naquela Ilha do Ártico com potencial extraordinário de exploração.

A visita recente do Vice à Base Militar que os EUA mantêm na Groenlândia, operada nos termos de um acordo firmado  décadas com a Dinamarca, foi interpretada como incrível provocação. Tanto é que os governantes da Ilha recusaram-se a renderem-lhe as honras de ilustre visitante. O governo da Dinamarca, contando com forte solidariedade da Comunidade das Nações, tem expressado indignação com relação aos desejos expansionistas de Trump. A população, pela mesma forma, dá demonstrações de compreensível inconformismo e desagrado nas ruas e praças das cidades dinamarquesas.

Até a semana passada os atos desencadeados, monocraticamente, pela Casa Branca, já haviam produzido 150 decisões judiciais, uma delas no âmbito da Suprema Corte. São sinais eloquentes, bem sintomáticos, do estado de espírito reinante nos diversos setores da vida Norte Americana. As questões demandadas compreendem deportações, conflitos trabalhistas, ocasionados por demissões em massa, entrechoques com magistrados, escritórios de advocacia, educadores, empresários, agentes públicos, gente ligada a movimentos de cidadania.

Para aguçar ainda mais as relações, já tensas, do governo com a opinião pública, vieram à tona 2 escândalos ligados ao vazamento de informações sigilosas, consideradas segredos de Estado. Uma delas, já aqui comentada, é a visita de Elon Musk ao Pentágono, onde o magnata obteve informações altamente privilegiadas. Outra situação amplamente criticada disse respeito á extrema facilidade com que a imprensa colheu dados secretos, com antecedência, da operação militar promovida contra o grupo terrorista no Iêmen. 

Por conta deste cenário parece mais que provável a movimentação, a qualquer momento, dos ponteiros do Relógio do Juízo Final, sinistra metáfora do comportamento desvairado da liderança mundial na atualidade.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)


A sublime linguagem da música.

 



 

*Cesar Vanucci

“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música”.

(Aldous Huxley)

 

Conto com a permissão de meu diminuto, posto que culto e leal leitorado, para introduzir, neste acolhedor espaço, pausa musical. Tem hora que é necessário fazer isso. Aliás, como se recomenda na canção de Carlos Lyra, “É preciso cantar”...

Confesso, em boa verdade, gostar um bocado de musica, bom sujeito que sou. Como dizia Dorival Caymmi, expoente da infindável musicalidade da Bahia com “H” e de Todos os Santos, quem não gosta de musica, bom sujeito não é.

Não toco nenhum instrumento, não componho, cantar mesmo pra valer, só quando resolvo dar uma de “tenor de banheiro” desafinado. Apreciando, então, ouvir música, prevaleço-me com frequência de instantes  reservados ao lazer para audições solitárias, que eu próprio organizo, na tenda de trabalho. Conto sempre com a ajuda prestimosa da Alexa. A obediente secretaria eletrônica facilita muitíssimo o acesso ao inesgotável repertório da “Amazon”.

Vasculhando o imenso território melodioso, costumo reunir, nas mencionadas audições, diferentes interpretações, vocais ou orquestradas, referentes ás canções de minha especial predileção. Dias atrás, seguindo esse método, consegui juntar nada mais nada menos do que 18 versões da belíssima “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. Aproveito para registrar que o genial compositor não tem sido suficientemente lembrado nas programações radiofônicas e televisivas da atualidade, o que é deplorável e injusto. “Descolei” até uma gravação esplêndida de Frank Sinatra. Mas, a que mais me tocou foi a de outro rei, daqui de nossas paragens, Roberto Carlos.

As viagens que faço pelo reino encantado do “barulho que pensa” (Victor Higo) conduzem-me a descobertas e redescobertas fascinantes. Uma delas diz respeito a uma excepcional cantora brasileira que teve momentos de glória no exterior, mas que em sua pátria, embora  aplaudida não encontrou reconhecimento à altura de seu imenso talento. Leny Eversong  morreu nos anos 80, em São Paulo quase no ostracismo . Enfrentou drama pessoal pungente, sobre o qual, falarei noutra ocasião. Brilhou intensamente nos palcos de Las Vegas. Fez dueto com Elvis Presley, que a tinha na conta de uma das maiores cantoras mundiais. Repassando suas interpretações é fácil concluir que o chamado Rei do Rock and Roll" estava coberto de razão.

Dos álbuns por ela deixados constam primorosas vocalizações de clássicos da MPB e do melódico estadunidense. Cito algumas delas: uma extraordinária fusão de “Canta Brasil com Aquarela do Brasil”; “Baixa do Sapateiro”, “Muito Além” (versão brasileira de Al DI LA).

Deixo o fecho destas considerações para Schopenhauer: “A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.”

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

A ambição expansionista do “xerife”

    *Cesar Vanucci “Nunca descarto o uso de força militar” (Donald Trump, sobre a Groenlândia.)   São impactantes e de abrangência...